(Tá, eu sei… preciso aprender a andar com guarda-chuvas) Minha mãe me mataria se tivesse que colocar os tênis novamente atrás da geladeira. Já na terceira não teve jeito. Precisei parar em frente a uma casa, onde me abriguei em um pedacinho de telhado que sobrava da garagem. E como choveu, viu. Eis que recebo uma visita inesperada. Veio correndo na minha direção para se abrigar naquele que eu considerei “meu abrigo emergencial”. Era nítido o desespero e a aversão à água. Capengou, capengou e chegou. Senhoras e senhores, era uma barata.
Chegou como quem não quer nada, pulou (isso mesmo, pulou! sente o desespero) o vão dos trilhos do portão e subiu na grade. Eu me perguntava: “Por que aqui? Por que no meu ‘abrigo’? Por que uma barata correria de dia embaixo de chuva? Por que eu?” Meu caso com as baratas começou há muito tempo. Quando eu era pequeno alguém muito próximo, da família mesmo, fazia questão de me apresentá-las, mesmo eu não querendo conhecê-las (muito menos dormir com elas…). Você sabe quando gosta de alguém de primeira vista. Concordo que às vezes é necessário um pouco de convivência para se conhecer realmente como o ser é. Mas eu não sou assim. Se não vou com a cara de alguém de primeira vista, não adianta. É por essas e outras que não tenho problemas com ratos, aranhas, lagartixas… Inclusive tenho um novo amigo morando no quarto – uma lagartixa que mora atrás do meu poster de 4 anos de idade. Apelidei-o carinhosamente de Bill, em homenagem a um dos meu gatos que foi embora. Voltando à chuva. Claro que me afastei da indesejável. Vez ou outra inclinava o corpo para frente e até me molhava nos pingos que caiam do telhado, para ver onde estava a indivídua. Até que a perdi de vista. É nessas horas que me lembro daquele velho ditado “mantenha os amigos próximos, e os inimigos mais ainda”. Nada da chuva parar. Me rendi e voltei a descer a ladeira, embaixo de chuva mesmo. Minha bolsa de alça tansversal estava escondida atras de mim para evitar molhar mais uma vez, e quando voltei ela para o lado… Ganha um doce aquele que adivinhar quem estava ali! Dessa vez não tive tempo para ficar me perguntando o por quê dela estar ali etc etc. Um “peteleco” e ela caiu na água que escorria pela guia da calçada. Desceu corredeira abaixo e a adrenalina não deve ter sido maior. Foi-se para os esgotos da vida. Olhei na bolsa para certificar se realmente não tinha mais companhia. Ainda fiquei com aquela sensação de que estava acompanhado. Mania essa que a gente tem de achar que insetos se reproduzem sozinhos, a hora que quiserem e que sempre vão botar ovos e criar uma colônia. Argh! Cheguei molhado e além do meu horário habitual. Tirei a roupa, retirei as coisas da bolsa (sempre me certificando que não havia nada além dos óculos escuros, das duas mudas de roupas, da marmita vazia e do squeeze) e pendurei tudo atrás da geladeira, mas dessa vez empurrei mais na parede para que ninguém perceba. Amanhã será um novo dia e que venha outros. Vou tentar enganar São Pedro saindo mais cedo (que ele não veja isso). Quem sabe quais outras “visitas inesperadas” terei?!
Ah! Ainda está chovendo, mas estou no seco e com baigon ao alcance!







